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Samantha Brandes

Médica | Especialização em Clínica Médica 
CRM-21037
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Samantha Brandes

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Acad. Isabella Heil Duarte

Acadêmico de Medicina - UNIVALI (Itajaí-SC)
5013 visualizações - 11/08/2020
6 minutos de Leitura

A vida e o legado de Elisabeth Kübler-Ross

Posição da Imagem:

Elisabeth Kübler-Ross foi uma médica psiquiatra, nascida no dia 08 de julho de 1926, na Suíça. Filha trigêmea, Elisabeth precisou realizar um grande esforço para ser reconhecida em sua singularidade - os valores de sua cultura de origem era comum tratar as crianças de uma mesma família de maneira rigorosamente idêntica. Este esforço para ser reconhecida foi a marca central do que Elisabeth faria anos mais tarde, ao dar voz ao sofrimento singular de cada pessoa que se defrontava com a proximidade da morte, ou com o processo de luto.

Ingressou na Escola de Medicina de Zurich, pela inspiração no médico europeu Albert Schweitzer, o qual dedicou-se ao trabalho de grande impacto na África Equatorial Francesa. Kübler-Ross após formada começou sua atuação no campo -interior da Suíça- o que a permitiu aproximar-se dos pacientes de uma forma única. Mudou-se para os Estados Unidos, onde realizou sua residência em psiquiatria, e viveu o resto de sua vida.

Elisabeth é uma grande pioneira no campo de cuidados paliativos - tinha muito interesse em escutar o que os pacientes queriam falar, algo muito raro para a época – e até para os dias de hoje. Em 1965 foi procurada por estudantes que gostariam de compreender sobre como os humanos lidavam com as grandes crises da vida, e destes questionamento os mesmos começaram a conduzir seminários com pacientes em estágios terminais, desse trabalho surgiu o livro “Sobre a morte e o morrer”, publicado em 1969. Kübler-Ross descreve os cinco estágios do luto: Negação e Isolamento, Raiva, Barganha, Depressão e Aceitação. A obra teve grande impacto na relação médico-paciente, uma vez que abriu a discussão sobre as vontades dos pacientes frente o luto e a morte.

A morte não é bem vista em nossa sociedade ocidental, ela é temida e evitada ao máximo, com a filosofia que viver mais é viver melhor. Quanto mais propagada é a correlação entre a morte e o medo, mais solitária a morte se torna. Não é raro que os pacientes morram na frieza do hospital sozinhos, devido há um “último recurso” que poderia ter dado mais tempo, mas quanto é este tempo? Três dias? Três meses? O paciente estava sofrendo? Qual era a qualidade de vida dele? E a pergunta mais importante de todas: Essa era a vontade do paciente? Se as respostas a essas perguntas roubam o repouso, a paz e a dignidade do paciente, é porque este “último recurso” não deveria estar sendo feito. Como o livro explana, é um fato que os pacientes estão sofrendo cada vez mais -quem sabe não fisicamente, mas sim emocionalmente.

Algo muito comum em nossa população, até entre a comunidade médica, é a crença que a verdade deve ser “escondida” do paciente, por medo que ele não aguente. Sempre há o conflito de “Será que devo contar?”, apesar de que a pergunta correta deveria ser “Como vou partilhar isso com o meu paciente?”.

Os pacientes reagem de diferentes maneiras a essas notícias, tudo depende de sua personalidade, estilo de vida e se já tiveram contato com o tema no passado. A negação (e o isolamento) tende a ser a primeira e principal defesa, os pacientes podem negar desde falar sobre o assunto, negar tratamento e até negar diretamente que são doentes.

O segundo estágio é a raiva, “por que comigo?”. A raiva é um estágio difícil para todos que cercam o paciente, já que ela vai para todas as direções e se projeta por tudo, o principal a se fazer nesse estágio é se colocar no lugar do paciente, para ser possível criar empatia pelo que eles está passando. Como você reagiria se sua vida fosse interrompida prematuramente?

O terceiro estágio é a barganha, algo que desde criança somos condicionados a fazer, uma vez que bom comportamento é possivelmente recompensado. Em geral, o que é almejado é um prolongamento da vida, dias sem dor ou sem males físicos. A barganha é uma tentativa de adiantamento (“já que só vou viver mais X quero poder experienciar Y), que incluiu o prêmio, uma meta auto imposta e a promessa -implícita- de que esse será o único adiantamento requisitado.

O quarto estágio vem quando o paciente não pode mais negar ou esconder sua doença, e a raiva dá espaço para um grande sentimento de perda, a depressão. A depressão pode ser um instrumento de preparação na perda iminente, e pode auxiliar na aceitação, pode guiar o paciente para o que está a frente, e não o que ficou para trás. Esse não é o momento visitas constantes, evitar a tristeza e “lembrar de tudo que ainda tem, já que esse estágio é essencial, uma vez que os pacientes que conseguem superar as suas angústias e ansiedades, atingem aceitação e paz.

O quinto e último estágio é a aceitação, onde o paciente não sente mais raiva nem depressão, todos esses sentimentos se foram. Mas é importante denotar que aceitação não é um estágio de felicidade, é como se fosse o “descanso antes da viagem”.

O movimento da vida não existe sem a morte.

Como disse Elisabeth Kübler-Ross, Quando um paciente está gravemente enfermo, em geral é tratado como alguém sem direito a opinar. Quase sempre é outra pessoa quem decide sobre se, quando e onde um paciente deverá ser hospitalizado. Custaria tão pouco lembrar-se que o doente também tem sentimentos, desejos, opiniões e, acima de tudo, o direito de ser ouvido…”.

Para conhecer o trabalho e legado de Elisabeth, acesse o site do capítulo brasileiro da fundação EKR – ekrbrasil.com.


Referências Bibliográficas:

ELISABETH KÜBLER-ROSS BRASIL. História de Vida. Disponível em: https://ekrbrasil.com/elisabeth-kubler-ross/historia-de-vida/. Acesso em: 5 ago. 2020.

FERREIRA, Ana Maria Yamaguchi; WANDERLEY, Katia da Silva. Sobre a morte e o morrer: um espaço de reflexão. Revista Temática Kairós Gerontologia, São Paulo, v. 15, p. 295-307, out. 2013. Disponível em: http://ken.pucsp.br/kairos/article/view/20038/14905. Acesso em: 05 ago. 2020.

KUBLER-ROSS, E. “Sobre a morte e o morrer”: 8a Ed., Martins Fontes. São Paulo, 1998. 

Palavras-chave:

  • cuidados paliativos
  • A morte e o morrer
  • Luto
  • Elisabeth Klüber-Ross

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