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Dra. Fernanda Hopf

Médica | Especialização em Obstetrícia e Ginecologia 
CRM-21062

Acad. Ana Caroline Cardoso Rebeca

Acadêmico de Medicina - UNIVALI (Itajaí-SC)
217 visualizações - 19/05/2020
7 minutos de Leitura

Contracepção: o exercício de liberdade das mulheres

“Nenhuma mulher pode se considerar livre até que ela possa, conscientemente, escolher se ela será ou não será mãe.” Marie Stopes (1921)

Os anticoncepcionais entraram no mercado na década de 60 e garantiram a possibilidade das mulheres separarem a vida sexual da reprodutiva, mudando assim seu comportamento até no mercado de trabalho. Apesar de muito populares, ainda existem muitas dúvidas acerca desse assunto e para indicação correta e segura é essencial uma consulta médica.

Para indicar o método mais adequado, os médicos devem levar em conta, não somente a eficácia do método anticoncepcional, mas também a segurança para cada paciente de acordo com suas características individuais. Esse texto visa expor algumas informações sobre os métodos mais populares disponíveis hoje no mercado, porém, vale ressaltar que não substitui uma consulta com seu médico ginecologista.

Para ajudá-los a entender à respeito da eficácia, será usado o Índice de Pearl, que avalia quantas mulheres engravidaram ao longo de um ano a cada 100 usuárias desse método, segundo a fórmula: 

Número de falhas X 12 meses X 100 (mulheres) / Número total de meses de exposição. 

Quanto mais alto esse índice, maior seu número de falhas anticoncepcional.

Outro ponto importante para ser discutido são os Critérios de Elegibilidade: conjunto de características apresentadas pela paciente ao uso de um determinado método, que definem se a paciente pode usá-lo ou não. 

***Métodos comportamentais (ou naturais):

Tabelinha (Ogico-Knaus): É o método que segue a estimativa da fase do ciclo menstrual da mulher . A ovulação ocorre de 12 a 15 dias antes da menstruação, e uma vez que os espermatozoides permanecem viáveis por 48 horas no trato genital feminino e o óvulo por 24 horas, quem usa esse método evita relações sexuais durante 2 dias antes e 2 dias depois da data estimada.

Índice de Pearl: 24

Temperatura: Aferição periódica da temperatura corporal da mulher- todos os dias pela manhã sem esforço prévio, o casal deve evitar relações sexuais desde o primeiro dia da menstruação até 3 dias após a elevação de 0,2 a 0,5°C da temperatura usual. Esse método exige muita disciplina.

Billings (muco cervical): Diariamente a mulher introduz os dedos na vagina para checar a consistência de seu muco cervical, que quanto mais próximo a ovulação fica mais abundante, aquoso, transparente e filante pela alta do hormônio estrogênio. Depois desse período, a progesterona deixa o muco mais espesso, em pouca quantidade sendo a “fase seca”. Com base nisso, o casal tem relações sexuais somente nessa fase, evitando assim gravidez.

Relações sem que haja ejaculação na vagina (coito interrompido): Esse método consiste na interrupção da penetração na vagina quando o homem sente a eminência de ejaculação. Esse método exige autocontrole do homem e compreensão da mulher, pois pode gerar frustração ao casal. Outras formas eróticas de relação sexual se enquadram nessa categoria como sexo anal, oral e masturbação mútua.

Índice de Pearl: 4 – 27

Além de pouco efetivos para evitar gravidez, esses métodos não protegem contra infecções sexualmente transmissíveis!!!

***Métodos de barreira:

Consiste em métodos que impedem a ascensão do espermatozoide pelo trato genital feminino por meio de obstáculo mecânico e podem ser usados tanto pela mulher como pelo homem.

Camisinha feminina e masculina: ambos devem ser introduzidos ou no pênis ou na vagina antes da relação sexual. Não é recomendado o uso de ambos ao mesmo tempo por aumentar a chance de romper o preservativo. A vantagem da camisinha masculina é que a feminina se movimenta durante o coito, pode ser ruidosa, é mais cara e diminui ainda mais a sensibilidade durante a relação sexual.

Esse método é o único que garante proteção contra a maioria das infecções sexualmente transmissíveis.

Índice de Pearl: 2 - 16

Diafragma feminino: É uma membrana de silicone envolta por um anel elástico que a mulher introduz na vagina, no colo uterino, garantindo barreira para o cérvice uterino. Requer treinamento da paciente de como inserir e retirar o dispositivo.

Índice de Pearl: 6 - 16

Espermicida: É um produto químico que a mulher introduz na vagina antes da relação sexual e ele reduz a motilidade do espermatozoide impedindo assim que o espermatozoide chegue ao óvulo.

Índice de Pearl: 18 - 28

Dispositivo Intrauterino (DIU): São dispositivos em forma de “T”, que devem ser inseridos na cavidade uterina por um médico. Existem no mercado diversas apresentações desses dispositivos que de maneiras diferentes previnem gravidez e, são eficazes por 5 a 10 anos. Caso a mulher no período de eficácia do método decida gestar, basta pedir ao médico ou enfermeiro que o remova e em pouco tempo será revertido seu efeito.

O mais conhecido e disponível na rede publica de saúde é o DIU de cobre, porém é contra-indicado em pacientes que apresentam sangramento menstrual volumoso ou cólicas menstruais intensas, pois esse dispositivo exacerba tais sintomas. A eficácia desse método dura 10 anos após a sua inserção. Hoje também existe no mercado o DIU de cobre e prata com efeitos semelhantes ao supracitado, porém com uma duração de 5 anos e com a atenuação dos sintomas de cólica e aumento do fluxo menstrual.

Índice de Pearl: 0,6 – 0,8

***Métodos Hormonais:

Sistema Intrauterino: Assim como os DIUs, são dispositivos introduzidos por um médico na cavidade uterina, porém esses liberam pequenas doses diárias de progesterona. Recentemente foi lançado um novo SIU de levonorgestrel, o Kyleena®, com doses hormonais menores que o Mirena® e assim causa menos efeitos colaterais da progesterona. Esses dispositivos conferem 5 anos de eficácia.

Índice de Pearl: 0,2

Anticoncepcionais Orais Combinados: São os anticoncepcionais mais populares - depois da camisinha masculina -, e são compostos por estrogênio e progesterona na apresentação de comprimidos que devem ser tomados diariamente pelas pacientes. Apesar de sua popularidade, podem ser perigosos quando não prescritos de acordo com as condições clínicas da paciente. 

Índice de Pearl: 0,3 – 3

Anticoncepcionais Orais Isolados: Feitos apenas de progesterona, são mais seguros que os combinados para algumas condições clínicas, e possuem a mesma forma de administração. São esses os anticoncepcionais usados no período de amamentação.

Índice de Pearl: 0,3 – 3

Injetáveis: Os anticoncepcionais injetáveis podem ser combinados, com estrogênio e progesterona, ou isolados, com apenas progesterona.

Os injetáveis combinados devem ser usados em injeções mensais. A primeira injeção deve ser feita até o quinto dia do ciclo e as seguintes a cada 30 dias. Em geral, as menstruações ocorrem na metade do tempo entre duas injeções.

No Brasil, a única progesterona isolada injetável disponível no mercado é o acetato de medroxiprogesterona que é administrada via intramuscular ou via subcutânea a cada 3 meses. As mulheres que usam essa medicação ficam sem menstruar enquanto durar seu efeito no organismo e, além disso, podem ter sangramentos irregulares mesmo durante o uso ou sangramento abundante. Seus efeitos podem durar de 6 a 8 meses após a última aplicação, podendo ser mais longo em mulheres com sobrepeso.

Índice de Pearl: 0,3 – 3

Anel Vaginal: É um dispositivo em forma de anel que possui liberação hormonal de estrogênio e progesterona, por isso deve ser usado somente após recomendação médica. O anel deve ser colocado dentro da vagina pela própria paciente, tendo duração de 3 semanas, podendo fazer pausa de 7 dias e introduzindo um novo anel após esse período, ou logo em seguida se houver o desejo de não menstruar.

Índice de Pearl: 0,3 - 3

Implantes: São dispositivos em forma de capsula introduzidos embaixo da pele da paciente no braço, pouco acima do cotovelo, com uma agulha própria e tem duração de 3 anos.

Índice de Pearl: 0,05

Adesivos: São adesivos de estrogênio e progesterona que são colados na pele e devem ser trocados uma vez por semana durante 3 semanas consecutivas, com pausa de uma semana.

Índice de Pearl: 0,3 - 3

Anticoncepção de Emergência: Esse método é indicado nos casos em que os outros métodos não sejam usados ou em falhas presumidas. São compostos por altas doses de progesterona isolada e podem ser em dose única ou dois comprimidos tomados no intervalo de 12 horas entre as doses. Não é indicado usá-lo como substituição dos métodos de uso regular. A única contraindicação de uso é gravidez confirmada.

***Métodos Cirúrgicos:

Laqueadura tubária ou Vasectomia: são métodos de esterilização cirúrgicos para mulheres e homens, respectivamente. Para a realização de Laqueadura Tubária, a paciente deve obedecer a lei de Planejamento Familiar do Ministério da Saúde. 

Índice de Pearl: 0,1 - 0,5

 

Referências:

1. The Global Library Of Woman´S Medicine- FIGO, 2014.

2. POLI,Marcelino Espírito Hofmeister, MELLO, Claudete Reggiani, MACHADO, Rogério Bonassi, et al,  , Revista Femina,volume 37, número 9, 2009.

Palavras-chave:

  • anticoncepção
  • anticoncepcional
  • gravidez
  • saúde da mulher
  • índice de pearl

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