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Dra. Fernanda Hopf

Médica | Especialização em Obstetrícia e Ginecologia 
CRM-21062

Acad. Ana Caroline Cardoso Rebeca

Acadêmico de Medicina - UNIVALI (Itajaí-SC)
1933 visualizações - 16/07/2020
4 minutos de Leitura

Dispareunia, vulvodínea e vaginismo: você sabe o que são?

Historicamente o prazer feminino foi reprimido pela sociedade e pela religião até que, em 1975, se tornou forte preocupação e componente da luta pela emancipação feminina. Essa repressão faz com que, muitas vezes, as disfunções sexuais, como disfunção no desejo/excitação sexual, disfunção do orgasmo e dor genitopélvica, não sejam relatadas na consulta médica, e apesar de, subdiagnosticadas, são queixas comuns.

A disfunção sexual pode ser desencadeada por condições médicas, como diabetes, hipertensão, tireoidopatias, depressão, assim como por medicamentos benzodiazepínicos, antidepressivos, anticoncepcionais, entre outros. Também podem ser atribuídas à diádica (dificuldades na relação do casal), violência sexual, aspectos socioeconômicas, quebra de contrato (como traições), repressão sexual, desconhecimento anatômico, disfunção sexual prévia e causas hormonais.

Os sintomas podem ser variados, e são frequentes as queixas de dor durante a relação sexual, a dispareunia, que pode ser de intróito- na hora da penetração, ou de fundo- depois da penetração, no fundo da vagina. Diversos podem ser os fatores desencadeantes dessa dor que pode ter origem orgânica como infecções, doenças sexualmente transmissíveis, endometriose, atrofia vaginal, e também pode ser de origem psicológicas. A origem psicológica pode ser atribuídas à diádica (dificuldades na relação do casal), violência sexual, aspectos socioeconômicas, quebra de contrato (como traições), repressão sexual, desconhecimento anatômico e disfunção sexual prévia. Quando a causa é identificada o tratamento deve ser direcionado, já quando a dispareunia tem causa desconhecida ou de origem psicológica muitas vezes pode exigir um tratamento multidisciplinar com ginecologista, fisioterapeuta, psicólogo e psiquiatra.

A queixa dolorosa na vulva (parte externa da vagina) até o intróito vaginal espontânea ou desencadeada pelo toque, seja durante a relação sexual ou ao lavar, é chamada vulvodínea. Essa dor em queimação e com persistência por mais de 3 meses ainda não tem origem desconhecida. Ela pode ser desencadeada, assim como a dispareunia, por infecções ou por fatores psicológicos.

Outra queixa é o vaginismo, que pelo medo de dor na penetração a mulher fica tensa e gera contratura muscular da parte externa da vagina, por vezes de toda parte pélvica causando dor e assim entrando no ciclo vicioso de dor na relação. O DSM IV define o vaginismo como espasmo involuntário recorrente ou persistente da musculatura distal da vagina. O tratamento baseia-se na dessensibilização sistemática, realizada com ajuda de fisioterapia e acompanhamento psicológico.

O tratamento da queixas dolorosas devem ser direcionadas para a causa do sintoma e devem começar a ser abordadas no âmbito da educação sexual e da anatomia e funcionamento normativo da resposta sexual. Além disso, as normativas educativas básicas foram recentemente publicadas pela Revista Brasileira De Ginecologia E Obstetrícia seguindo um modelo de abordagem para médicos: EOP- Educação, Orientação sobre saúde sexual e Permitir e estimular o prazer sexual.

Além dessas medidas, existem também medicações que podem ajudar no quadro e são indicados conforme a fase reprodutiva da mulher. Por exemplo, nas mulheres na peri-menopausa (climatério) medicações de reposição estrogênica e de reposição androgênica podem ser usadas e devem ser suspensas se não tiver efeito em até 6 meses. Vale lembrar que existem contraindicações absolutas do uso dessas medicações em mulheres com câncer de mama, câncer de endométrio, tromboembolismo agudo, hepatopatia aguda e/ou grave, diabetes com lesão de órgão-alvo, porfiria e sangramento uterino sem causa diagnosticada. Também podem ser usadas medicações com efeitos no Sistema Nervoso Central como a bupropiona.

Para ter o tratamento mais adequado é indispensável uma consulta aberta e sincera com seu ginecologista. Vida sexual ativa e saudável é indicador de saúde e deve ser abordada com naturalidade, despida de tabus e preconceitos.

Referências

1. DA SILVA LARA, Lucia Alves, LOPES,Gerson Pereira , POERNER SCALCO, Sandra Cristina, et al, Tratamento Das Disfunções Sexuais No Consultório Do Ginecologista, Femina, Edição 47, Volume 2, páginas 66-74, 2019.

2. FEBRASGO, Dor na Genitália e na Relação Sexual, 2017.

Palavras-chave:

  • dispareunia
  • vulvodínea
  • vaginismo
  • dor na relação sexual

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