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Dra. Profa. Nilva Lúcia Rech Stedile

Enfermeira | Especialização em Enfermagem em Saúde Publica
COFEN-29521
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Dra. Profa. Nilva Lúcia Rech Stedile

Enfermeira | Especialização em Enfermagem em Saúde Publica
COFEN-29521

Acad. Taís Furlanetto Bortolini

Acadêmico de Enfermagem - UCS (Caxias do Sul-RS)
191 visualizações - 21/10/2019
6 minutos de Leitura

É possível eliminar os agrotóxicos dos alimentos?

Posição da Imagem:

Os agrotóxicos, eficazes no combate às pragas que causam prejuízos às plantações, se tornaram aliados dos agricultores, os quais dependem da obtenção de uma boa safra para sucesso financeiro. O agrotóxico é conhecido como uma maneira de evitar perdas e elevar a quantidade de alimentos produzidos. Em contrapartida a esses benefícios, causam sérios problemas à saúde e ao meio ambiente (OLIVEIRA, 2014).

A utilização de agrotóxicos para a agricultura no Brasil não é um problema atual, uma vez que o Brasil é o maior consumidor de agrotóxicos no mundo desde 2008 (ABRASCO, 2015). De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (INCA), o consumo médio de agrotóxicos por habitante no Brasil, em 2009, equivalia a 5,2kg (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2015; OLIVEIRA, 2014).

O uso indiscriminado desses compostos nas plantações, associado ao não cumprimento do período de carência que cada agrotóxico possui, tem trazido ao mercado alimentos contaminados com agrotóxicos, mesmo que esses resíduos sejam invisíveis ao olho nu, podem ser muito prejudiciais para a nossa saúde. Segundo a Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco 2015), um terço dos alimentos consumidos diariamente pelos brasileiros está contaminado pelos agrotóxicos, ou seja, esses apresentam concentrações acima dos limites máximos permitidos pelas agências e normas que regulamentam o setor (RODRIGUES, 2016). Segundo um estudo desenvolvido pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA, 2011), o alimento mais contaminado é o pimentão (91,8%), seguido por morango (63,4%), pepino (57,4%), alface (54,2%), cenoura (49,6%), abacaxi (32,8%), beterraba (32,6%) e mamão (30,4%), além de outras culturas analisadas e registradas com resíduos de agrotóxicos.

Podemos portanto afirmar que os agrotóxicos são um problema de saúde pública no Brasil, uma vez que expõem os indivíduos a seus efeitos tóxicos e também contamina, além dos próprio alimentos, o meio ambiente, incluindo o solo, a água, o ar e também demais seres vivos.

De encontro a isso, a obtenção de alimentos ditos “saudáveis” tem sido cada vez mais procurados e exigidos pelos consumidores e, consequentemente, surge a necessidade de medidas que minimizem essa insegurança alimentar e de alguma forma consigam diminuir os resíduos de agrotóxicos presentes nos alimentos e reduzir os impactos para a saúde humana. Os sintomas de intoxicação por agrotóxicos são pouco específicos e muito diversos, e incluem desde dores de cabeça, diarreia, vômito e fraqueza, até efeitos que se manifestam depois de longos períodos de tempo, como alergias, dermatites e até mesmo câncer.

Medidas para evitar o consumo de alimentos com agrotóxicos:

Para quem deseja evitar o consumo de alimentos contaminados, aqui vão algumas dicas:

-consumir alimentos orgânicos;

-cultivar um pomar/ horta em casa;

-buscar informação sobre a origem dos alimentos.

Medidas para reduzir a concentração de resíduos agrotóxicos dos vegetais:

Quando não há a possibilidade de consumir alimentos sem agrotóxicos, devem-se seguir algumas medidas protetivas:

-dar prioridade aos alimentos (frutas e verduras) da estação, pois estes tendem a ter menos agrotóxicos. Além de que os alimentos no período de safra normalmente têm melhor propriedade nutricional, também são mais frescos e saborosos;

-quando for consumir algum alimento como frutas e vegetais, se possível os descasque, pois é na casca que se concentram a maior parte dos agrotóxicos;

-para fazer uma boa higiene de frutas, legumes e verduras, é indicado lavá-los em água corrente, e em seguida colocá-los em uma solução com vinagre (medida de 4 colheres de sopa de vinagre para 1 litro de água), ou em uma solução com bicarbonato de sódio (dose de 1 colher de sopa de bicarbonato para 1 litro de água), e deixar o alimento de molho por 20 minutos, para enxaguar logo após. Essa forma de higienizar os alimentos reduz contaminações microbiológicas e parte das substâncias dos agrotóxicos, porém é importante ressaltar que não elimina por completo as substâncias absorvidas pelo alimento. Mesmo assim, é uma maneira de reduzir a toxicidade contida nessas frutas,legumes e verduras;

-outra dica é lavar as frutas, verduras e legumes com água corrente. Caso você queira, utilize uma escovinha para otimizar a higienização. Após fazer isso, deve-se higienizar os alimentos com hipoclorito de sódio (água sanitária). Essa medida auxilia na eliminação de bactérias e microrganismos prejudiciais à nossa saúde. Porém é importante ressaltar que deve-se ter precaução com a medida de água sanitária por que em excesso também pode ser tóxico. Deve-de deixar os alimentos de molho em uma mistura contendo uma colher de sopa de água sanitária para cada litro de água. Depois, é importante enxaguar os alimentos antes de consumir.

Esses cuidados são capazes de eliminar apenas parte dos resíduos deixados pelos agrotóxicos.

Cuidado: Antes de fazer a higienização dos alimentos com água sanitária, preste atenção no rótulo do produto, que deve conter apenas hipoclorito de sódio. Caso tenha em sua composição aditivos, detergentes ou aromatizantes, não pode ser usada! No rótulo constam também as indicações de uso que da mesma forma devem ser lidas. Nestas deve estar mencionado se permitem o uso do produto em alimentos.

É importante que cada um cuide de sua alimentação e também faça escolhas conscientes nas refeições diárias. Isso é essencial para manter uma boa saúde e bem-estar.

 

AUR, Deise. Saiba como combater os efeitos de agrotóxicos nos alimentos. 2019. Disponível em: <https://www.greenme.com.br/alimentar-se/produtos-organicos/8004-combater-agrotoxicos-nos-alimentos>. Acesso em: 16 out. 2019.

BRASIL. ANVISA. Contaminação por agrotóxicos persiste em alimentos analisados pela Anvisa. 2011. Disponível em: <http://portal.anvisa.gov.br/noticias/-/asset_publisher/FXrpx9qY7FbU/content/contaminacao-por-agrotoxicos-persiste-em-alimentos-analisados-pela-anvisa/219201/pop_up?inheritRedirect=false>. Acesso em: 16 out. 2019.

CARNEIRO, F. F. et al. Dossiê ABRASCO: Um alerta sobre os impactos dos agrotóxicos na saúde. Rio de Janeiro: EPSJV; São Paulo: Expressão Popular, 2015. Disponível em: <https://www.abrasco.org.br/dossieagrotoxicos/wpcontent/uploads/2013/10/DossieAbrasco_2015_web.pdf>. Acesso em: 16 out. 2019.

GreenMe. Site de dicas para uma vida saudável. Disponível em: <https://comidadobem.net/wp-content/uploads/2015/05/ebook-como-diminuir-os-residuos-dos-agrotoxicos-na-alimentacao.pdf>. Acesso em 15 out. 2019.

MINISTÉRIO DA SAÚDE. Posicionamento do Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva acerca dos agrotóxicos. Instituto Nacional de Câncer. Brasília, 2015. Disponível em: <https://www.inca.gov.br/sites/ufu.sti.inca.local/files//media/document//posicionamento-do-inca-sobre-os-agrotoxicos-06-abr-15.pdf>. Acesso em: 16 out. 2019.

OLIVEIRA, Leonardo de Campos Corrêa. Resíduos de agrotóxicos nos alimentos, um problema de saúde pública. 2014. 32 f. Monografia (Especialização) - Curso de Especialização em Atenção Básica em Saúde da Família, Universidade Federal do Triângulo Mineiro, Uberaba, 2014. Disponível em: <https://www.nescon.medicina.ufmg.br/biblioteca/imagem/6331.pdf>. Acesso em: 16 out. 2019.

RODRIGUES, Alessandra Aparecida Zinato. Eficiência de processamentos químicos e físicos na remoção de resíduos de agrotóxicos em hortaliças. 2016. 97 f. Monografia (Especialização) - Curso de Pós-graduação em Agroquímica, Universidade Federal de Viçosa, Viçosa, 2016. Disponível em: <https://www.locus.ufv.br/bitstream/handle/123456789/9649/texto%20completo.pdf?sequence=1&isAllowed=y>. Acesso em: 16 out. 2019.

 

Palavras-chave:

  • Agrotóxicos
  • Alimentos
  • Resíduos de agrotóxicos
  • Intoxicação
  • Saúde pública

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