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Prof. Dagoberto Vanoni de Godoy

Médico | Especialização em Pneumologia 
CRM-14486
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Prof. Dagoberto Vanoni de Godoy

Médico | Especialização em Pneumologia 
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Acad. Renata Nicolao Bassanesi

Acadêmico de Medicina - UCS (Caxias do Sul-RS)
44480 visualizações - 31/07/2020
4 minutos de Leitura

Falta de ar na quarentena: ansiedade ou Covid-19?

     O momento de distanciamento social por causa do novo coronavírus vem acompanhado de muitos sentimentos, sendo um dos mais comuns a ansiedade. Em situações que nós não temos controle e nem possibilidade de previsão do que vai acontecer ficamos, frequentemente, ansiosos. Destarte, não é incomum que todos nós já tenhamos experimentado sintomas de um quadro ansioso nesse período. Dentre esses sintomas se apresenta a falta de ar, entretanto, ela também é um dos principais sintomas da infecção por Covid-19. E agora? Como diferenciar se o que estou sentindo pode ser uma infecção ou apenas um “sintoma do isolamento”? 

A falta de ar: definição

     A conhecida falta de ar, mas que em termos médicos é chamada de dispneia, acontece quando o ato de respirar vem acompanhado de esforço desagradável. A dispneia representa anormalidade quando acontece em repouso ou com atividades que antes eram tranquilamente toleradas. Esse sintoma pode ser atribuído a causas pulmonares, cardíacas, metabólicas, psiquiátricas, entre outras. 

Ansiedade x Covid-19

     A dispneia por ansiedade acontece em episódios, não é constante, nem piora com pequenos esforços. Nesses casos ela vai se manifestar com a pessoa em repouso, sentada, já quando estiver caminhando ou fazendo alguma outra atividade o sintoma será menos perceptível. Caso seja um problema físico, como Covid-19, o sintoma vai vir acompanhado de exaustão quando realizados pequenos esforços, como subir alguns degraus de escada. A pessoa pode apresentar a falta de ar em repouso também, mas ela irá piorar quando em movimento. 

     A principal diferença para a qual devemos nos atentar é a febre: falta de ar por Covid-19 vem acompanhada de febre em quase todos casos. Baseados no estudo de 55.924 casos confirmados, a WHO-China Joint Mission on Coronavirus Disease 2019 relatou como sinais e sintomas mais comuns: febre em 88% dos casos, tosse seca em 68% dos casos e dispneia em 17% dos casos. Outrossim, em pacientes sintomáticos a dispneia só se desenvolve em um subgrupo de pacientes; como exemplo, em um grupo de 1000 pacientes com Covid-19 admitidos no hospital de Wuhan, China, apenas 19% apresentaram falta de ar. Logo, caso a falta de ar venha sozinha, sem algum desses outros dois sintomas é muito provável que ela não seja referente ao vírus, mas sim a uma crise de ansiedade. Além disso, deve-se lembrar de que durante uma crise de ansiedade a pessoa não obrigatoriamente precisa estar agitada, pois “o que a gente sente privadamente não é necessariamente igual àquilo que é manifesto publicamente” afirma a psicóloga Júlia Daher Fink, ou seja, se sua mente está preocupada, a ansiedade pode estar presente, mesmo que seu corpo aparente tranquilidade.

     Para quem já tem diagnóstico prévio de transtorno de ansiedade deve estar percebendo mais crises de falta de ar nesse período de isolamento social. Para amenizar a dispneia algumas dicas é evitar um pouco os noticiários e procurar informações mais calmas e seguras, como nos canais disponibilizados pela Organização Mundial de Saúde e pelo Ministério da Saúde. Além disso, também é benéfico realizar alguma atividade que tire o foco do problema: fazer exercícios de yoga, estudar algum assunto de interesse ou aprender algo novo, como tocar um instrumento musical ou fazer tricô, são apenas alguns exemplos. É importante também tentar manter uma rotina possível e condizente com a realidade de cada um, planejar atividades para realizar no dia pode amenizar os sintomas da ansiedade.

     Ademais, quanto menos controle temos das circunstâncias e quanto mais tempo durar o período de distanciamento, além da ansiedade outro fenômeno pode se apresentar, o chamado “desamparo aprendido”. É uma condição em que, de tanto ser submetido a quadros opressivos e dolorosos, o paciente deixa de tomar atitudes para mudar esse sentimento. Por fim, se você identificar sinais de ansiedade procure amigos ou familiares e, se necessário, obtenha ajuda de um profissional especializado.


Referências: 

Livro: “Sintomas e sinais na prática médica: consulta rápida” Alberto Augusto Alves Rosa, José Luiz Möller Flôres Soares e Elvino Barros; 2ª edição 

CNN Brasil “Psiquiatra explica diferença entre falta de ar por ansiedade e coronavírus” 09 Abr. 2020 https://www.cnnbrasil.com.br/saude/2020/04/09/psiquiatra-explica-diferenca-entre-falta-de -ar-por-ansiedade-e-coronavirus 

Cláudio Márcio Amaral de Oliveira Lima “Informações sobre o novo coronavírus (COVID-19)” 17 Abr. 2020 https://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0100-39842020000200001&script=sci_arttext&tlng= pt 

Drauzio Varella “Ansiedade da quarentena tem relação com a falta de controle” https://drauziovarella.uol.com.br/coronavirus/ansiedade-da-quarentena-tem-relacao-com-a -falta-de-controle/ 

Pieter Cohen, MDJessamyn Blau, MD “Coronavirus disease 2019 (COVID-19): Outpatient evaluation and management in adults” 20 Jul. 2020 https://www.uptodate.com/contents/coronavirus-disease-2019-covid-19-outpatient-evaluati on-and-management-in-adults?search=dyspnoea%20covid-19§ionRank=1&usage_ty pe=default&anchor=H2732412642&source=machineLearning&selectedTitle=1~150&displa y_rank=1#H2732412642

Palavras-chave:

  • covid-19
  • coronavirus
  • ansiedade
  • falta de ar
  • dispneia

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