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Liga Acadêmica de Ginecologia e Obstetrícia da Universidade de Caxias do Sul

Curso de Medicina | Mastologia , Obstetrícia e Ginecologia , Reprodução Humana, Saúde Sexual
UCS (Caxias do Sul-RS)
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Profa. Mona L. Dall'Agno

Médica | Especialização em Obstetrícia e Ginecologia 
CRM-37045

Acad. Marina Gazzola

Acadêmico de Medicina - UCS (Caxias do Sul-RS)
463 visualizações - 07/08/2020
4 minutos de Leitura

Nutrição na gravidez: o que realmente é necessário suplementar?

Posição da Imagem:

Sabemos que uma alimentação saudável, equilibrada e com nutrientes variados é primordial para uma boa saúde. Na gravidez, isso torna-se ainda mais primordial. As necessidades calóricas estão aumentadas no período gestacional. Em geral, a ingesta calórica recomendada é cerca de 30 kcal por kg de peso por dia, sendo que no 2º trimestre deve haver um aumento de mais 340 kcal/dia ao basal e no 3º trimestre esse acréscimo é de 452 kcal/dia, podendo variar conforme as necessidades diárias de cada mulher, tendo como base o índice de massa corporal (IMC) pré-gestacional, a idade materna, o ganho de peso e o nível de atividade física. A recomendação ideal consiste em engravidar estando com seu peso adequado (IMC de 18,5 a 24,9 kg/m²), assim o ganho de peso na gestação pode variar de 11,5 a 16 kg.

É importante que essa ingesta alimentar seja variada, priorizando frutas e vegetais bem higienizados e carnes magras, além de aumentar a ingesta de fibras e proteínas. Não se deve aumentar o uso de sal e é importante restringir o consumo de açúcares. Álcool e tabagismo são totalmente contraindicados na gestação e determinam risco ao bebê. O consumo de peixe pelo menos 2 vezes na semana é  recomendado para completar as necessidades de ácidos graxos e ômega-3, essenciais para o neurodesenvolvimento futuro da criança.

E sobre as vitaminas? É necessário suplementar?
O que temos de evidência robusta para uma indicação global de suplementação é:

Ácido Fólico (vitamina B9): existe forte recomendação de que se suplemente o ácido fólico de 0,4 mg ao dia, com início pelo menos um mês antes da concepção até a 12ª semana de gravidez, para todas as gestantes. O objetivo é prevenir possíveis defeitos do fechamento do tubo neural do bebê (malformações que cursam com a medula espinhal fora da coluna vertebral fetal, como a anencefalia, espinha bífida e encefalocele). Mulheres diabéticas, as que usam anticonvulsivantes ou que tenham histórico pessoal ou familiar de doenças do tubo neural necessitam de doses maiores de ácido fólico.

Ferro: a ocorrência de anemia na gestação é comum e traz riscos para a mãe e o bebê, como a diminuição do liquido amniótico, estados fetais não tranquilizadores, risco aumentado de parto prematuro, aborto espontâneo, baixo peso ao nascer e aumento da mortalidade materna e fetal. As demandas do organismo por ferro estão aumentadas na gestação e os estoques podem ser inadequados e insuficientes. Por essas razões, recomenda-se a suplementação de ferro de forma preventiva para todas as gestantes sem diagnóstico de anemia, na dose de pelo menos 30 mg/dia de ferro elementar, a partir do 2º trimestre da gestação. Em casos de anemia, a dose da suplementação do ferro é maior e individualizada.

Vitamina D: a deficiência de vitamina D pode ocorrer quando a sua demanda está maior, como é o caso da gestação. A reserva de vitamina D do bebê depende dos estoques de vitamina D da mãe. Sua deficiência grave ocasiona raquitismo e osteomalácia nas crianças e adultos. O sol é a principal fonte para que nossa pele produza vitamina D, a exposição solar de 15 min entre as 10 e 15 horas, sem protetor solar e com a pele exposta, por vezes é suficiente para pessoas de pele clara. É recomendado que gestantes sob risco de deficiência, como aquelas que vivem em lugares com pouco sol, realize a suplementação. A dose diária depende dos níveis séricos da vitamina e é individualizada.

Omêga 3: para gestantes com escasso consumo de peixes é recomendado suplementar 1 g/dia de ômega-3 no terceiro trimestre da gestação devido aos benefícios conhecidos no desenvolvimento neurológico da criança.

Cálcio: para grávidas com baixo consumo de laticínios e seus derivados, a suplementação de 1 g/dia de cálcio parece ser benéfica para prevenção da pré-eclâmpsia. Vale lembrar que níveis adequados de cálcio são facilmente atingidos através de dieta adequada - a suplementação só deve ser uma opção em casos de mulheres que não conseguem incorporar as doses recomendadas de cálcio na alimentação.  

A avaliação pelo seu obstetra e, se possível, por um nutricionista, é imprescindível para avaliar as necessidades individuais de cada gestante, de acordo com a sua dieta e estado nutricional. A auto-suplementação pode ser perigosa e não está recomendada - algumas vitaminas em excesso podem ser mais danosas do que benéficas ao organismo materno e do seu bebê. Converse com seu médico durante seu pré-natal e esclareça suas dúvidas, e lembre-se: o equilíbrio alimentar é sempre a melhor escolha.

 

Referências:
El Beitune P, Jiménez MF, Salcedo MM, Ayub AC, Cavalli RC, Duarte G. Nutrição durante a gravidez. São Paulo: Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO); 2018. (Protocolo FEBRASGO - Obstetrícia, nº 14/Comissão Nacional Especializada em Assistência Pré-Natal).

Palavras-chave:

  • nutrição
  • gestação
  • suplementação
  • ácido fólico
  • ferro

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