Seja notificado de novas mensagens. Ativar notificações da área de trabalho.

Dra. Maria Helena Itaqui Lopes

Médica | Especialização em Gastroenterologia 
CRM-8668
Total de Leituras: 33,531
voltar

Dra. Maria Helena Itaqui Lopes

Médica | Especialização em Gastroenterologia 
CRM-8668

Acad. Ketelly Bueno Koch

Acadêmico de Medicina - UCS (Caxias do Sul-RS)
24844 visualizações - 20/10/2019
4 minutos de Leitura

Por que tenho gases na barriga, estufamento abdominal?

O que causa gás?

●Engolir ar, frequentemente enquanto come, bebe ou fuma. O ar engolido geralmente volta como um arroto.

●Comer certos alimentos, como feijão, brócolis, fruta, trigo, batata, milho e macarrão. As bactérias no intestino digerem partes desses alimentos e produzem gases.

●Problemas para digerir certos alimentos, como trigo ou laticínios.

●Condições (doenças) que prejudicam o sistema digestivo.

Por que meu gás cheira mal? A maior parte do gás que eliminado via retal não tem cheiro. Mas parte dele contém uma substância chamada enxofre. O enxofre tem mau odor.

Quando devo consultar um médico?

Consulte o seu médico se você também tiver algum destes sintomas:

●Diarréia, perda de peso inexplicada, dor de barriga, sangue nas fezes, perda de apetite, febre inexplicada, vômitos.

Manifestações Clínicas do Gás Intestinal e como tratá-lo

Os pacientes geralmente referem arrotos, flatulência e inchaço, ou distensão no abdome (barriga).

1. ARROTO: geralmente se trata o arroto com as seguintes medidas:

●Educação, tratamento de distúrbios associados e terapia comportamental - O gerenciamento inclui educação para diminuir a deglutição do ar. Medidas comportamentais específicas incluem a descontinuação de mascar chicletes, fumar, por vezes beber bebidas carbonatadas. Em pacientes com depressão ou ansiedade, o tratamento deve ser iniciado.

O tratamento bem-sucedido de arrotos excessivos por um terapeuta (por exemplo, terapeuta cognitivo-comportamental ou fonoaudiólogo) com treinamento especial em técnicas de respiração diafragmática tem sido associado a uma redução dos sintomas em alguns estudos.

2. FLATULÊNCIA: o volume de gás passado pelo reto - ânus varia de cerca de 500 a 1500 mL por dia. A frequência de flatos liberados varia entre 10 e 20 vezes por dia em indivíduos saudáveis. A maioria das pessoas que relatam flatulência excessiva se enquadra nesse intervalo.

Uma série de fatores pode explicar flatulência incômoda:

●Alteração da motilidade intestinal ou da flora bacteriana intestinal.

●Fatores alimentares, como aumento da ingestão de lactose, frutose, sorbitol ; amidos não digeríveis em frutas, legumes; e bebidas carbonatadas.

●Fatores psicológicos podem ser fator precipitante da flatulência.

Várias medidas que podem ser tomadas para reduzir a flatulência incluem:

●Tratamento da causa subjacente - em pessoas com intolerância à lactose, o tratamento inclui restrição à lactose e o uso de preparações enzimáticas que são tomadas por via oral com alimentos que contêm lactose. Em pacientes com supercrescimento bacteriano do intestino delgado, o tratamento é realizado com antibioticoterapia.

●Modificação da dieta - os pacientes devem ser aconselhados a evitar alimentos que produzem excesso de gás (por exemplo, repolho, cebola, brócolis, couve de bruxelas, trigo e batata). Em pacientes sem uma melhora significativa, apesar da exclusão de alimentos produtores de gás, sugerimos uma dieta pobre em oligossacarídeos fermentáveis, dissacarídeos, monossacarídeos e polióis (FODMAPs). A educação alimentar do FODMAP deve ser fornecida por um nutricionista treinado para evitar excesso de restrição alimentar.

3. INCHAÇO E DISTENSÃO ABDOMINAL: inchaço refere-se a uma sensação de plenitude abdominal, pressão ou sensação de gás aprisionado, enquanto distensão é um aumento mensurável na circunferência abdominal. Inchaço e distensão devido a gases intestinais podem ser por crescimento excessivo de bactérias no intestino delgado, doença celíaca, intolerância à lactose ou um distúrbio gastrointestinal funcional. Podemos tratar da seguinte forma:

●Modificação de dieta e estilo de vida - evitar alimentos que aumentam a flatulência (por exemplo, feijão, cebola, aipo, cenoura, passas, bananas, damascos, ameixas secas, couve de Bruxelas e gérmen de trigo). Sugerimos uma dieta pobre em FODMAPs em pacientes com sintomas persistentes, apesar da exclusão de alimentos produtores de gás. Outras modificações na dieta que podem ser úteis incluem a restrição de bebidas carbonatadas. Exercícios leves e postura ereta podem melhorar o inchaço em alguns pacientes.

●Tratamento da causa subjacente - Em pacientes com supercrescimento bacteriano do intestino delgado, é indicado tratamento com antibióticos. Em indivíduos com intolerância à lactose, o tratamento inclui restrição à lactose e o uso de preparações enzimáticas orais com alimentos que contêm lactose.

Referências:

ABRACZINSKAS, Diane. Overview of intestinal gas and bloating. Uptodate, 06 dez. 18. Disponível em: <https://www.uptodate.com/contents/overview-of-intestinal-gas-and-bloating?search=flatulencias&source=search_result&selectedTitle=1~150&usage_type=default&display_rank=1>. Acesso em: 18 out. 19

UPTODATE. Patient education: Gas and bloating (The Basics). Uptodate, 19 out. 19. Disponível em: <https://www.uptodate.com/contents/gas-and-bloating-the-basics?search=flatulencias&source=search_result&selectedTitle=3~150&usage_type=default&display_rank=3>. Acesso em: 10 out. 19.

Palavras-chave:

  • gases
  • estufamento
  • arroto
  • flatulência
  • desconforto

Qual sua avaliação para o texto acima?