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Dra. Fernanda Hopf

Médica | Especialização em Obstetrícia e Ginecologia 
CRM-21062

Acad. Vanessa Nodari Carobin

Acadêmico de Medicina - UCS (Caxias do Sul-RS)
648 visualizações - 01/09/2020
5 minutos de Leitura

Sororidade: mulheres unidas no presente e para as futuras gerações

Posição da Imagem:

A sororidade deriva do latim soror, que significa irmã. Em resumo, sororidade é a irmandade entre as mulheres. 

Quando nos referimos a irmandade nos referimos a redes de apoio. A sororidade colocada em prática significa ter empatia com outras mulheres, se colocar no lugar da outra antes de julgá-la, não enxergar uma mulher como rival e prestar apoio em qualquer situação, estendendo uma mão amiga. Ou seja, é a união de mulheres.

O termo mesmo pouco conhecido tem sido utilizado em movimentos feministas, por seu caráter de convocar as mulheres a se apoiarem. Entenda que praticar a sororidade não significa que você será estereotipada como uma feminista, apenas estará incorporando ao seu dia a dia uma prática de empatia com as suas semelhantes.

Mas e afinal o que compreende a sororidade:

1-Não significa concordar com tudo: somos pessoas dotadas de personalidades diferentes e opiniões diferentes, logo não precisamos concordar com tudo que outras mulheres pensam ou fazem. Contudo, não devemos julgar ou detestar alguém, muito menos humilhar outras mulheres pelo fato de não compartilhar da mesma opinião ou preceitos. É não ser cruel, nem querer destruir outras mulheres, nem achar aceitável que uma mulher sofra violência tentando justificar os motivos do acontecimento. É sobre saber respeitar as diferenças e fazer delas um alicerce positivo, de apoio feminino.

2- Competições femininas devem ser evitadas: Quando competimos diminuímos nossas potencialidades e anulamos nossas particularidades. Ser rival não irá acrescentar nada na sua vida. Não queira competir por padrões de beleza nem por parâmetros de desenvolvimento pessoal, apenas seja e aceite sua maneira de ser e da outra mulher e tentem crescer juntas.

3- Tenha empatia: ter empatia é a capacidade de se colocar no lugar do outro, no sentido de pensar como aquela situação poderá refletir na vida social, atividades da pessoa e perceber como pode ser ou não prejudicial ao outro. Cuide: ter empatia não significa ter pena de alguém. O sentimento de empatia significa compaixão e o sentimento de pena é por não conseguir se identificar. Quando se sente pena frases como por exemplo: “Eu jamais faria tal escolha! Ela merece sofrer” são observadas, ou seja seu sentimento não acrescenta em nada nas relações de aproximação das mulheres.

4- Exclua termos que expressem xingamentos ou comportamentos sexuais: Por que a forma de outra mulher se vestir, falar e se expressar lhe incomoda? Lembre sempre que cada ser é particular e tem sua individualidade. Cada um pode ser quem quiser. Pare também de reprimir o comportamento sexual das mulheres e julgar as mulheres que gostam e tem prazer, tanto quanto os homens, em relação ao sexo. A mulher durante anos foi reprimida em relação as questões sexuais, contudo ela tem e deve exercer a sua liberdade. Logo não utilize termos como “vagabunda”, “vadia”, “oferecida” ou mesmo “santinha”, “moralista” ou “mal comida”, não cabe a você especular sobre o comportamento sexual e tentar utilizar o sexo contra ela.

5- Errado é chamar as mulheres de loucas: mulheres são constantemente chamadas de loucas por simplesmente exporem sua opinião ou por ficarem irritadas com alguma situação. Não romantize a ideia de submissão feminina. Uma rede forte de apoio feminino poderia terminar com tal xingamento, pois se todas as mulheres fossem mais independentes e representativas na sociedade, o termo louca não iria ecoar.

6- Elogie e incentive: As mulheres que tentam ascender à liderança enfrentam obstáculos culturais e sistêmicos que dificultam seu avanço, como o preconceito inconsciente. Uma teoria muito interessante é utilizada para compreender melhor esse tópico, chama-se teoria do brilho. A shine theory ou teoria do brilho partiu da ideia da jornalista norte-americana Ann Friedman com intuito de diminuir as competições femininas e criar alianças. É dar visibilidade feminina e entender que o apoio feminino pode fazer modificações, seja em escala social ou em ambientes de trabalho. Ademais elogie dotes artísticos. Elogie sensibilidade. Sua coragem. Sua energia fantástica e contagiante. Seu humor. Seu gosto literário. Elogios fortalecem vínculos e fazem as mulheres crescerem, juntas.

7- Por fim, fiquem juntas: apoie as outras mulheres. A rede de apoio pode ser muito benéfica, muito além do que você imagina. Lembre-se que mulheres compartilham ainda no século 21 as mesmas angústias. Ela também tem medo de voltar a noite sozinha pela rua, como você. Ela tem medo de pegar Uber sozinha e finge estar conversando com alguém pelo celular, como você. Ela tem medo de ser violentada, como você. Ela sente, ela é forte e ela tenta fazer do mundo um lugar melhor para as suas futuras gerações, principalmente para suas filhas, como você. Então, sigam juntas.

Textos de apoio e base de inspiração:

• Victoria Castro. Os 10 mandamentos da sororidade: como se tornar uma mulher que levanta outras mulheres. Disponível em: https://herself.com.br/blog/os-10-mandamentos-da-sororidade-como-se-tornar-uma-mulher-que-levanta-outras-mulheres/

• Beatriz Castells. Sororidade: empatia e solidariedade fortalecendo a rede de mulheres. Disponível em: https://www.dicasdemulher.com.br/o-que-e-sororidade/

• Daniela Carasco. Shine Theory: executivas se juntam nas empresas e redes sociais contra o machismo e a invisibilidade feminina. Disponível em https://revistamarieclaire.globo.com/Comportamento/noticia/2017/03/shine-theory-executivas-se-juntam-nas-empresas-e-redes-sociais-contra-o-machismo-e-invisibilidade-feminina.html

Palavras-chave:

  • SORORIDADE
  • MULHERES
  • UNIÃO
  • EMPATIA
  • IRMANDADE

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