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Profa. Luciana Segat

Médica | Especialização em Obstetrícia e Ginecologia 
CRM-25254
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Profa. Luciana Segat

Médica | Especialização em Obstetrícia e Ginecologia 
CRM-25254

Acad. Bárbara Brambilla

Acadêmico de Medicina - UCS (Caxias do Sul-RS)
206889 visualizações - 26/09/2019
5 minutos de Leitura

Transgênero, transexual e travesti, você sabe a diferença entre esses termos?

Estima-se que a população transgênero no mundo seja de 25 milhões, correspondendo à cerca de 0,5% da população, apesar das taxas de prevalência serem subestimadas em função de haver poucos indivíduos que procuram centros de referência para transgêneros. No ano de 2018, a Organização Mundial da Saúde anunciou a retirada dos transtornos de identidade de gênero do capítulo de doenças mentais presente na Classificação Internacional de Doenças 10 (CID-10) e passou a incorporar no CID-11 o tema com o termo incongruência de gênero no capítulo sobre saúde sexual. Já o Manual Diagnóstico e Estatístico dos Transtornos Mentais (DSM-5) estabeleceu o termo disforia de gênero para o sofrimento que pode acompanhar a incongruência entre o gênero experimentado e o gênero de nascimento da pessoa. 

Felizmente, o reconhecimento e também a aceitação da transexualidade aumentaram de maneira considerável em muitos países. Apesar disso, em muitas regiões há falta de aceitação cultural, estigma e discriminação, fazendo com que indivíduos transgênero escondam sua identidade de gênero. Ainda, quando há reconhecimento e aceitação, muitas pessoas confundem termos e conceitos em relação ao tópico.

Conceitos gerais:

O termo disforia é usado para descrever sintomas de desconforto, inquietação, mal-estar e angústia

A palavra gênero é utilizada para denotar o papel público desempenhado como menino ou menina, homem ou mulher, resultante da interação entre fatores biológicos, sociais e psicológicos

O termo sexo é atribuído a uma definição biológica/anatômica

O que é disforia de gênero?

De acordo com a quinta edição do Manual Diagnóstico e Estatístico dos Transtornos Mentais (DSM-5), a disforia de gênero em adolescentes e adultos pode ser definida pelos seguintes critérios:

A. Incongruência acentuada entre o gênero experimentado/expresso e o gênero designado de uma pessoa, com duração de pelo menos seis meses, manifestada por no mínimo dois dos seguintes:

 1. Incongruência acentuada entre o gênero experimentado/expresso e as características sexuais primárias e/ou secundárias (ou, em adolescentes jovens, as características sexuais secundárias previstas).

2. Forte desejo de livrar-se das próprias características sexuais primárias e/ou secundárias em razão de incongruência acentuada com o gênero experimentado/expresso (ou, em adolescentes jovens, desejo de impedir o desenvolvimento das características sexuais secundárias previstas).

3. Forte desejo pelas características sexuais primárias e/ou secundárias do outro gênero.

4. Forte desejo de pertencer ao outro gênero (ou a algum gênero alternativo diferente do designado).

5. Forte desejo de ser tratado como o outro gênero (ou como algum gênero alternativo diferente do designado).

6. Forte convicção de ter os sentimentos e reações típicos do outro gênero (ou de algum gênero alternativo diferente do designado).

B. A condição está associada a sofrimento clinicamente significativo ou prejuízo no funcionamento social, profissional ou em outras áreas importantes da vida do indivíduo.

Quais as características das pessoas com disforia de gênero?

Na disforia de gênero é comum haver sofrimento expresso por desconforto intenso com o sexo anatômico, principalmente no período da puberdade. Além disso, os indivíduos se sentem desconfortáveis ao serem considerados pelos outros ou agir na sociedade como membros de seu gênero designado. Algumas atitudes costumam ser identificadas em pessoas com a disforia de gênero, como usar estratégias para esconder as características sexuais do gênero de nascimento, adotar comportamento e vestimentas do gênero que se identificado, limitar a atividade sexual e buscar modificações corporais por meio de tratamentos hormonais ou cirúrgicos. Quando a disforia de gênero é iniciada na infância, comumente encontram-se comportamentos como possuir e se interessar por brinquedos, brincadeiras, vestimenta e sonhos do gênero oposto e como evitar a prática de brincadeiras e esportes com estereótipo de seu gênero de nascimento, assim como evitar a ida a eventos que exijam vestimenta do sexo anatômico.

Quais são os termos utilizados na disforia de gênero?

Identidade de gênero:

É a identificação do indivíduo como homem, mulher ou alguma categoria diferente do masculino e feminino

Papel de gênero:

É a expressão pública da identidade de gênero através do comportamento e dos traços da personalidade

Expressão de gênero:

É a maneira em que o indivíduo comunica a identidade de gênero por meio da aparência, vestimenta, cabelo, modo de falar e se comportar nas interações sociais

Variabilidade de gênero:

É o grau em que a identidade, o papel e a expressão de gênero difere das expectativas sociais e culturais para um determinado sexo

Não binário de gênero:

É o espectro de identidade com base na rejeição da ideia binária de que gênero é apenas uma opção entre masculino e feminino fundamentada no sexo atribuído ao nascimento.

Cisgênero:

Corresponde a uma pessoa cuja identidade de gênero coincide com o sexo biológico

Transgênero:

É um indivíduo cuja identidade de gênero difere em diversos graus do sexo biológico.

Transexual:

É a pessoa que busca ou passa por uma transição social que pode incluir a transição por tratamentos hormonais ou cirúrgicos a fim de se assemelhar com sua identidade de gênero.

Travesti:

Corresponde ao indivíduo do sexo masculino que usa roupas e adota formas de expressão de gênero femininas mas que não necessariamente deseja mudar suas características primárias.

Cross-dressing:

É a prática de vestir roupas e acessórios usados pelo sexo oposto

Orientação sexual:

Se refere ao sentimento de atração de um indivíduo por outras pessoas, podendo ser do mesmo sexo, do sexo oposto, de ambos os sexos ou ainda sem referência ao sexo ou ao gênero. Pessoas que não sentem atração por outras podem se identificar como assexuadas.

Nome social:

É a designação utilizada pela mulher ou homem transgênero ou pela travesti para se identificar de acordo com sua identidade de gênero, enquanto a alteração no registro civil ainda não foi promovida.

Por fim, cabe salientar a importância de conhecer a disforia de gênero e os termos associados à fim de reduzir estigmas, discriminações e ainda, evitar utilizar termos errôneos ao interagir socialmente com indivíduos transgêneros.

Referências:

Seidel KM; Constanza TR, Novo L, Cabral CC, Moquedace P, colaboradores. Manejo da disforia de gênero no adulto. In: Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia; Carvalho GA, Czepielewski MA, Meirelles R, organizadores. PROENDÓCRINO Programa de Atualização em Endocrinologia e Metabologia: ciclo 9. Porto Alegre: Artmed Panamericana; 2017. P. 105-53. (Sistema de Educação Continuada a Distância, v.2).

Lucio Vilar – Endocrinologia Clínica – Sexta Edição – 2016

Manual de Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais 5ª edição (DSM-5) – 2013

Palavras-chave:

  • Transgênero
  • Transexual
  • Travesti
  • Disforia de Gênero
  • Gênero

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