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Dra. Fernanda Hopf

Médica | Especialização em Obstetrícia e Ginecologia 
CRM-21062

Acad. Elise Mello

Acadêmico de Medicina - UCS (Caxias do Sul-RS)
436 visualizações - 07/08/2020
5 minutos de Leitura

Você conhece a importância da Libido Feminina?

    A sexualidade feminina foi duramente reprimida e silenciada durante séculos por aspectos culturais, religiosos e até mesmo vista como inexistente pois a mulher era associada à “função” de reproduzir. Sendo assim, o desejo sexual, também conhecido como libido, ficou em segundo plano e não foi abordado durante muito tempo, transformando a libido feminina em um verdadeiro tabu, dificultando sua desconstrução. A revolução sexual trouxe à tona questionamentos importantes sobre comportamentos e pensamentos tradicionais e conservadores. Desde então muito se evoluiu a respeito da liberdade sexual, mas apenas recentemente o tabu do desejo sexual feminino tem sido discutido de forma mais aberta e sincera, permitindo as mulheres buscarem o que é seu por direito: viver plenamente sua sexualidade (sozinha, com parceiro ou parceira).  

    Atualmente, a Organização Mundial da Saúde considera a saúde sexual um fator de qualidade de vida e, sem dúvidas, ela merece atenção especial quando falamos sobre saúde feminina. Estudos recentes indicam que 40 a 50% das mulheres vão ter alguma disfunção sexual ao longo da vida, dentro dessas disfunções o desejo sexual hipoativo, ou seja, falta de libido, representa até 55% dos casos. Logo, precisamos compreender todas as facetas que envolvem a libido feminina a fim de reduzir as estatísticas e promover qualidade de vida para essas mulheres. 

    Para entendermos o que cerca a libido precisamos conhecer o ciclo de resposta sexual feminino desenvolvido por Rosemary Basson em 2004. Esse modelo propõe que na maioria das vezes a mulher não vai ter o desejo espontâneo, ou seja, aquele desejo que surge sem nenhum estímulo, mas durante a maior parte do tempo a mulher possui o que chamamos de desejo responsivo, aquele em que a excitação funciona como um gatilho para o desejo. Desde os primórdios as mulheres foram educadas para serem desejáveis e não para desejar, logo, pensar em sexo foge à "naturalidade" esperada, necessitando que a mulher seja disruptiva e consiga falar e pensar em sexo sem tantos tabus e julgamentos a rodeando. 

    O desejo sexual está ligado a aspectos multifatoriais como: estilo de vida, manejo do estresse, qualidade do sono, autoestima, questões emocionais, problemas no relacionamento, crenças culturais, pressão social, histórico de abuso, deficts hormonais e vitamínicos; é importante entender que tudo que cerca a complexidade feminina pode afetar direta ou indiretamente a libido. O primeiro passo para a libertação sexual está em se conhecer, identificar o que lhe dá prazer e compartilhar com seu parceiro ou parceira pois é a partir de experiências positivas e satisfatórias que a mulher vai aumentar seu desejo sexual. 

 

Fatores que podem contribuir positivamente para a libido

  • - Autoconhecimento: primeiro passo para vivenciar a sexualidade de maneira plena, buscar entender como o corpo funciona fisiologicamente associado a suas percepções individuais, experiências com a masturbação e brinquedos sexuais também podem contribuir;

  • - Pensar em sexo: entender o sexo como algo fisiológico e que isso é um gatilho importante para estimular o desejo responsivo, seja por meio de músicas, filmes, ambientes e até mesmo livros/contos;

  • -Diálogo entre o casal, dividir suas dificuldades e sentimentos possibilita ao outro entender o que acontece em seu mundo interior e a não criar cobranças injustas sobre o desempenho sexual; 

  • - Psicoterapia nas situações em que a falta de desejo esteja relacionada com problemas de autoimagem, inseguranças ou até mesmo problemas no relacionamento;

  • - Fisioterapia pélvica pode ajudar em alguns casos de disfunções;

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  • Fatores que podem contribuir negativamente para a libido 

    • - Falta de conhecimento do seu corpo: a sexualidade é muito única e individual para cada um, uma mulher que não se conhece dificilmente vai ter uma vida sexual plena, visto que não consegue descobrir suas preferências nem a dividi-las com seu parceiro/parceira;

    • - Uso de medicações como anticoncepcional, antidepressivos e ansiolíticos podem afetar a libido;

    • - Disfunções sexuais: dor durante relação (dispareunia), desejo sexual hipoativo, anorgasmia e vaginismo;

    • - Aspectos emocionais: condições como a depressão e ansiedade podem reduzir o desejo sexual, nível elevado de estresse e problemas no relacionamento também;

    • - Deficits hormonais e nutricionais;

    • - Autoestima e inseguranças com seu corpo;

    • - Menopausa: as baixas dos hormônios sexuais femininos atrelado a atrofia vaginal que ocorre durante esse período pode reduzir a libido, no entanto, existem alternativas para contornar essa condição;

    • - Período de Aleitamento Materno: essa fase devido ao aumento da prolactina é muito comum ocorrer uma baixa da libido, no entanto, é importante não se cobrar nem criar exigências para esse período pois é um momento fisiológico e deve ser respeitado da forma que a mulher desejar;

     

OBS. Relacionamentos podem sim passar por dificuldades e problemas, mas se você não tem sido tratada com amor e respeito pela pessoa que escolheu talvez deva repensar nessa relação. Relacionamentos abusivos são tóxicos e interferem negativamente não só na sua autoestima e vida sexual, como também podem apresentar riscos físicos e psicológicos.

 

    Por fim, é necessário desconstruir tabus e antigas regras socialmente estabelecidas e entender que a sexualidade está em sintonia com o mundo interno de cada um e envolve diversas camadas. Visto que a libido está intimamente relacionada com a saúde sexual e que essa é um aspecto importante de qualidade de vida, deve-se compreender que libido baixa persistentemente não é normal nem deve ser tolerada por nenhuma mulher. Nesses casos, a melhor solução é buscar ajuda com um profissional que entenda sobre o assunto e esteja disposto a ouvir suas queixas e ajudar a trabalhá-las da melhor maneira possível pois é um direito da mulher viver sua sexualidade com experiências prazerosas e satisfatórias.

 

REFERÊNCIAS 

1. PASSOS, E. et al.Rotinas em Ginecologia. 7 ed. Editors Artmed, 2017

2. Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Ações Programáticas Estratégicas. Saúde Sexual e Saúde Reprodutiva : os homens como sujeitos de cuidado / Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção à Saúde, Departamento de Ações Programáticas Estratégicas. – Brasília : Ministério da Saúde, 2018. 56 p. : il

 

Palavras-chave:

  • libido
  • sexualidade
  • vida sexual
  • saúde da mulher
  • desejo sexual

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